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Transformando a tela numa grande bandeja, os food films (filmes nos quais a comida ocupa lugar de destaque) reforçam a ideia de que, sim, também comemos com os olhos. Um bom exemplo disso é o filme Chocolate, que desperta no público o desejo imediato de entrar numa confeitaria…
Mas são tantos os food films, e tão apetitosos, que até no Festival de Berlim foi criada uma mostra paralela dedicada a eles. Nossa proposta é divulgar os bastidores desses filmes, suas receitas e curiosidades.
 
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Aguce os sentidos e conheça uma forma inusitada de agradar a audiência

A palestra Filmes com Sabor, apresentada por Nilu Lebert, traz os mais deliciosos pratos das telas para seu evento. Nessa conversa saborosa é mostrado um cardápio de filmes, resultando numa experiência gastronômica pelo universo do cinema. É a perfeita combinação para eventos de incentivo e confraternização.

Apaixonados por bons filmes e pratos saborosos, a dupla Ilustra a
palestra mostrando cenas de onze food films consagrados. O encontro
transcorre ao longo de 45 minutos e resulta numa conversa informal
sobre o mundo cinematográfico e gastronômico presente em filmes
como Ratatouille, Julie & Julia, A Época da Inocência e Maria Antonieta,
entre outros.

Veja alguns dos filmes que comentamos passando o mouse
nas imagens
.

 
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Galeria de imagens e vídeos
 


Clube Paulistano – São Paulo (nov/2013)

Clube Paulistano – São Paulo (nov/2013)
palestra_portoseguroPorto Seguro Saúde – SP (set/2014)

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O cinema, inegável difusor de costumes, também colaborou para exaltar a elegância dos coquetéis, aperitivos e vinhos. Quem não se lembra do Dry Martini, marca registrada de James Bond, ou do Cosmpolitan, da personagem Carrie de Sex and the City? Ou dos vinhos californianos de Sideways – Entre Umas e Outras, Entre umas e outras? Já quando se fala em pratos, a lista é grande. Até as tradicionais ceias de Natal brasileiras, antes comemoradas com pernil e farofa, passaram a incluir o peru assado ladeado de frutas, depois que ele apareceu em tantos e tantos filmes americanos. Confiram aqui algumas das receitas que brilham nas telas e aguçam o paladar. As imagens dos drinques, abaixo, são de Helena de Castro para o livro Bebendo Estrelas.
 

receita_orn2a Dry Martini receita_orn1a

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70 ml de gim, 3 gotas de vermute extra dry, raspinha (zest) de limão, azeitona verde para finalizar. Para fazer o Vodka Martini, substitua o gim pela vodka.
Dry Martini: O preferido de James Bond, em todas a versões

receita_orn2a Cosmopolitan receita_orn1a

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2 partes de vodka, a parte de Cointreau, 1 parte de suco de cranberry (ou framboesa), ½ parte de suco de limão. Decore com casca de limão ou laranja.
Manhattan: Sex and the City fez o mundo se render ao drinque

receita_orn2a Caipirinha receita_orn1a

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Corte ½ limão Taiti em rodelas e amasse-as num pilão com 3 colheres de açúcar. Transfira para o copo e adicione uma dose de pinga e cubos de gelo.
Caipirinha: Sua possível origem é vista em O Xangô de Baker Street

receita_orn2a Minestrone receita_orn1a

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Um bom caldo de carne ou frango cozido com salsão, cebola, tomate e cenoura. Depois de pronto e coado, coloque para cozinhar nele os legumes da sua preferência picados, uma folha de louro e um punhado de salsinha. E a massa curta que você preferir. Não tem erro!
Parente é Serpente e diversos outros filmes italianos

receita_orn2a Batatas Assadas receita_orn1a

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Coloque no forno quente as batatas depois de lavadas e envolvidas em papel alumínio. Depois de 45/50 minutos elas estarão prontas para receber o recheio da sua preferência. Sugestões: manteiga com bacon; requeijão e azeitonas; alecrim e creme de leite.
A evolução da culinária alemã em Sem Reservas

receita_orn2a Salada de Bacalhau receita_orn1a

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Lascas de bacalhau cozido e desfiado, rúcula, azeitonas pretas, algumas alcaparras, tomate cereja e um generoso fio de azeite. Tudo a gosto, o sal e a pimenta também.
Valorização de peixes e frutos do mar no filme Dieta Mediterrânea

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Nilu Lebert
Jornalista e pesquisadora da área da gastronomia,
publicou pela Editora Melhoramentos os livros
O Cinema vai à Mesa
, Bebendo Estrelas e
Bistrô & Trattoria, Cozinhas da Alma. Pela Amazon,
os livros Tasting Movies e Filmes com Sabor
disponíveis on line. E pela editora
Europa, o livro Natureza para Comer.

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Vatel, a biografia de um chef na tela grande

O filme Vatel, O Cozinheiro do Rei, narra a história de um cozinheiro extraordinário que, graças ao seu talento, integrou o extravagante jogo da corte, onde todos são dependentes de dinheiro, de seu estilo de vida e da fama. Mas estas riquezas têm um preço e, se você assistir o filme, descobrirá que o chef é mais um escravo de suas regras naquele sistema brutal de poder hierárquico.

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Reza a lenda que Vatel foi o “inventor” do creme chantilly, um assunto que ainda gera controvérsias. No entanto, a versão mais divulgada é que o número insuficiente de claras usadas para a preparação do merengue (que cobriria os bolos) fez Vatel experimentar bater a nata do leite com açúcar para substituí-las. Como o fato se deu no castelo de Chantilly, a preparação – logo aprovada pelo paladar exigente da corte – recebeu seu nome.

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Gérard Depardieu voltou a representar o papel de chef no filme As Férias da Minha Vida. Desde sempre apaixonado pelos bons vinhos e por bons pratos, Depardieu é autor do livro Ma Cuisine e, hoje, é dono de diversos vinhedos na Europa. Seus vinhos já receberam importantes prêmios internacionais, mas atuar ainda é sua prioridade. Ainda bem!

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ALFRED HITCHCOCK, o diretor gourmet que preferia as loiras

O trio comida, sexo, e cinema (e não necessariamente nessa ordem) sempre rendeu sucesso nas bilheterias. Mas, dos três, o cinema é o único que pode conter os outros dois.

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Hitchcock sabia disso, mesmo numa época em que o erotismo era mais velado. Gourmet assumido, ele declarou numa entrevista que gostaria de realizar um filme totalmente focado na gastronomia. Pena que o projeto não se realizou!

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No filme Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955), Grace Kelly e Cary Grant protagonizaram uma memorável cena de sedução, e inteiramente vestidos. É a cena do piquenique, quando, diante do frango assado, ele pergunta: “Você prefere a coxa ou o peito?”, e ela responde: “A escolha é sua”. Duplo sentido muito bem temperado pelo diretor que sempre valorizou a boa mesa e a presença das loiras.

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Frenesi, o penúltimo filme de Hitchcock realizado em 1972, revela o sofrimento de um inspetor de polícia diante das desastradas experiências culinárias da esposa, ótima companheira e péssima cozinheira… Apesar de ser solidário com o sofrimento do personagem (ou talvez por isso mesmo), Hitchcock não abria mão de frequentar os melhores restaurantes, nem das bebidas de qualidade. Aliás, um dos seus pratos favoritos era a requintada combinação de codornas com molho de uvas. Um clássico, como ele!

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007, entre brindes e tiros

Filmes com Sabor vai se dedicar hoje a um personagem que valoriza os copos do cinema. E James Bond foi o escolhido para nos acompanhar nesse brinde, uma vez que sua imagem sempre estará associada ao dry Martini… Mas, no placar dos especialistas, é no filme A Serviço Secreto de sua Majestade que o personagem mais bebe, ou seja, um drinque a cada vinte minutos. George Lazenby, vivendo o charmoso agente nesse longa, esteve sempre ao lado de um copo. Que podia ser de vinho, uísque, dry Martini, champanhe e até de cerveja…

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Cervejas também aparecem dezenas de vezes em muitos filmes da série. Essas estatísticas foram levantadas, curiosamente, por fãs ardorosos que já se deram ao trabalho de registrar a quantidade de vezes em que 007 ingeriu bebidas alcoólicas nos livros e no cinema, e isso só até 2011: 317 drinques nos livros, 114 nos filmes. Ele bebe de tudo, principalmente champanhe (65 vezes), Uísque Bourbon (57), Scotch (42) seguidos no placar pelos seus famosos gim ou vodka martini (41). Os fãs já esperam que Bond, na tela, ensine suas preferências ao barman. Mas, em Cassino Royale, Daniel Craig/007 vai mais longe, e cria um novo coquetel, o Martini Vesper.

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Entre os muitos atores que viveram Bond no cinema, Sean Connery, o primeiro deles, encabeça a lista com sua personalidade e carisma marcantes. Imbatível conquistador, ele se tornou um clássico. Como o dry Martini. Mas, depois dele, outros também arrancaram suspiros da plateia feminina: Pierce Brosnam, Daniel Craig, Timothy Dalton e Roger Moore estão entre eles. Qual o seu preferido?

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Sábado, Domingo e Segunda: uma homenagem ao ragu

Parece muito lógico que o cinema italiano seja aquele que melhor retrate o prazer de uma boa refeição, de preferência reunindo a família, amigos e agregados para saborear a especialidade da matriarca. Sempre há uma nonna, ou mesmo uma mãe, vivendo o papel da sacerdotisa que tem a honra de presidir as cerimônias dionisíacas. Existe algo mais singelo, humano e maternal do que o orgulho pelo prazer que a “sua” comida proporciona? E a disputa para ver quem faz o melhor ragu esquenta a reunião. Um dos grandes exemplos dessa competição é oferecido em “Sábado, Domingo e Segunda” (Sabato, Domenica e Lunedì, de 1990), adaptação de um famoso texto teatral de Eduardo de Filippo (1900-84), dirigido por Lina Wertmüller e estrelado por Sophia Loren (veja a cena do ragu em https://www.youtube.com/watch?v=tQMHV0rnl8o), e refilmado para a TV em 2004 por Paolo Sorrentino (https://www.youtube.com/watch?v=HAqRUimdKxQ).

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Na Itália (e até mesmo aqui), cada região e cada família têm a sua receita única, seu jeito pessoal e imutável de preparar a iguaria. Em Bolonha, por exemplo, o ragu à bolonhesa tem sua receita registrada em cartório. A carne, picada muito fina, deu origem ao que nós chamamos de “molho à bolonhesa”, às vezes feito com carne moída, em uma versão deturpada. Nele, a carne não é descartada, mas incorporada ao molho. Em Nápoles, porém, as carnes são retiradas no momento de servir a massa com o ragu (já transformado em um molho escuro, denso e perfumado) e são usadas depois, ao lado de batatas ou legumes.

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Quem já caminhou pelas ruas napolitanas aos domingos de manhã com certeza sentiu no ar o perfume desse molho que é motivo de orgulho nacional. O ritual da preparação começa a ser feito ao raiar do dia, leva horas no fogo, uma profusão de ingredientes e muito, muito tomate. “Sábado, Domingo e Segunda” não é apenas um louvor ao ragu, à cozinha e à família italianas: é uma homenagem ao prazer da boa mesa. Aqui no Brasil ou em Pozzuolo (pequena cidade napolitana onde se desenrola a ação do filme), o almoço de domingo só é completo se tiver o perfume do molho do ragu, a alma do macarrão da mamma e protagonista absoluto do enredo do filme. “L’odore di festa, l’odore del ragù”, dizem por lá. A disputa pela melhor receita e pelos elogios provoca discussões acaloradas, muita competição e cenas inesquecíveis. Na panela, em fogo baixo, são cozidas também as certezas, dúvidas, intenções, expectativas e generosas pitadas de amor e bom humor.

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Ragu Napolitano, em uma de suas versões

Ingredientes:
1 pedaço de alcatra (ou coxão mole) de 800g
100 g de toucinho defumado cortado em cubos
50 g de manteiga
2 ½ Kg de tomates maduros, porém firmes, sem pele e sem sementes, picados grosseiramente.
1 cebola grande ralada
4 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de extrato de tomate
1 folha de louro
10 folhas de manjericão
500 ml de vinho tinto seco
2 copos de água
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

Preparo:
Tempere a carne com sal. Lardeie a carne inserindo em seu interior os pedaços de toucinho. Em uma panela, coloque o azeite e a manteiga. Quando esquentarem, adicione a cebola até que comece a dourar e sele a carne de ambos os lados. Junte os tomates, o louro e a água. Quando ela evaporar, coloque o vinho, mexendo sempre. Quando secar, vá pingando água aos poucos, até que a carne fique macia e os tomates tenham se desmanchado por completo. Acrescente então o extrato de tomate e mexa bem. Espere o molho encorpar. Coloque o manjericão. Corrija o sal e a pimenta. Retire a carne e sirva o molho com a massa, salpicando tudo com parmesão ralado. Se desejar, acrescente fatias da carne ao lado da massa.

Obs: tempo de cozimento: de 3 a 4 horas, em fogo baixo.

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Você é o que come

Filmes com Sabor também é programação e conscientização. O documentário “Comer o Quê?”, dirigido por Leonard Brant (em colaboração com Caio Amon e Graziela Mantoanelli), registra a partir de depoimentos de grandes figuras ligadas à culinária e à nutrição as mudanças no hábito alimentar do brasileiro nos últimos 20 anos. Reflexos das novas relações com a gastronomia do brasileiro são o crescente interesse em reality shows culinários e o hábito de ler os rótulos dos produtos, mesmo que por vezes não da maneira correta. A primeira pergunta de muitas que o média-metragem faz é se a comida se relaciona com a identidade de cada um, e a resposta é um sonoro sim ao se considerar tudo que se ouve no filme. Afinal, em longo espectro o cozinhar e preparar uma comida é um ato de carinho, para ser aproveitado se divertindo, como afirma a ativista gastronômica Neka Menna Barreto.

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O filme enfileira as entrevistas (apresentadas pela atriz, nutricionista e corealizadora Graziela Mantoanelli), cada uma cobrindo um aspecto específico da cadeia “alimentar-se bem / cozinhar / ter qualidade de vida”. O chef Alex Atala, entre várias observações, declara que cozinha não é arte, é expressão artística, e assim defende o reconhecimento da gastronomia como cultura pelo Ministério da Cultura, assim como já foi feito com a moda. Não são poucos os que defendem a inclusão da educação culinária no ensino fundamental. O ator Marcos Palmeira, por sua vez, compartilha sua experiência como produtor rural e exalta que “somos todos súditos da natureza”, que não há reis na agro-ecologia. Já o crítico gastronômico Josimar Melo fala do salivar que uma boa comida e sua lembrança geram e aponta como antes o máximo era saber quem é o maitre do restaurante, hoje todos se interessam em saber quem é o chef.

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Para profissionais ligados a estas áreas, o doc nada apresenta de novo. Este faz um iluminado resumo, porém, das diferentes experiências em relação ao produzir, identificar e consumir alimentos de e com qualidade. Menciona a utilidade das PANCs (plantas alimentares não convencionais, como o ora-pro-nóbis), apresenta as experiências de hortas comunitárias como a da Praça das Corujas, na Vila Madalena, e a de City Lapa, ambas em São Paulo, considera a gastronomia pelo viés da antropozoico e político, como ato de cidadania, e desfila ainda rápidos preparos de inúmeros pratos saudáveis e saborosos, como na participação da apresentadora de TV e nutricionista Bela Gil.

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O filme de 58 minutos terá um lançamento na sala da Unibes Cultural, ao lado da estação Sumaré do metrô, nesta terça-feira 19 de abril, às 20 horas. Um convite para tomar contato com bons hábitos e muitos prazeres, que só incrementam a vida de cada um, ao som da boa trilha sonora do corealizador Caio Amon. Após a exibição haverá um “banquete de ideias”, série de depoimentos curtos de personalidades presentes no filme e convidados especiais sobre alimentação e sua relação com cultura, educação, saúde, bem estar, ecologia, economia e a vida cotidiana. O ingresso é 1 kg de alimento.

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Está no ar também uma websérie com os mesmos personagens introduzindo os temas abordados no filme: www.youtube.com/comeroque

Como parte de uma iniciativa de mobilização realizada pela Taturana Mobilização Social, o filme já circulou por cidades como Belém, Brasília, Fortaleza, Niterói e São Paulo em sessões especiais de pré-lançamento e foi exibido gratuitamente em universidades, equipamentos públicos e cineclubes. Depois do lançamento oficial, o filme volta para este circuito e poderá ser exibido em centros culturais, escolas, coletivos, cineclubes, universidades e qualquer outro equipamento de interesse público. Para fazer parte da rede de exibidores, basta acessar a página do filme e se cadastrar: http://taturanamobi.com.br/portfolio/comer-o-que/

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A Arte das Omeletes na Tela Grande

O que tem em comum os filmes A Cem Passos de um Sonho, Ratatouille, Julie & Julia, Sabrina, Philomena, A Grande Noite e dezenas de outros? A resposta certa é… omelete!

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Passar no “teste da omelete” garante a contratação de cozinheiros no filme A Cem Passos de um Sonho, no qual a chef de um restaurante estrelado (papel de Helen Mirren) submete os candidatos ao temido teste, que consiste no preparo perfeito desse prato aparentemente simples, mas que exige domínio da técnica e mãos firmes. É isso que se vê também em Ratatouille, quando o ratinho Remy revela segredos da verdadeira omelete francesa.

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Em Sabrina (1955), com Audrey Hepburn no papel-título, ou na refilmagem de 1995, com Julia Ormond vivendo a garota de origem simples que vai a Paris aprender a cozinhar numa famosa escola de gastronomia, o preparo da omelete com a supervisão de grandes chefs é visto em detalhes.

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Outro filme, outra história, outra atriz e a mesma receita de omelete aparecem em Julie & Julia, na cena em que Meryl Streep, vivendo Julia Child, aprende com grandes mestres franceses o ponto exato das claras , a base de qualquer omelete. Dá para relembrar esse momento do filme no link https://www.youtube.com/watch?v=8SAfA91tjv0. Caso você queira experimentar fazer a sua própria, aí vai a receita original:

Omelete Básica, a tradicional

Ingredientes (2 pessoas)
5 ovos (prefira os orgânicos, em temperatura ambiente);
1 colher de sobremesa de manteiga;
sal e pimenta a gosto.

Preparo
Quebre os ovos num prato fundo separando e reservando as gemas. Tempere com sal e pimenta e bata as claras até espumar. Acrescente as gemas e bata até que estejam incorporadas às claras. Numa frigideira pesada, antiaderente, coloque a manteiga e espere que ela derreta bem. Nesse momento, de uma só vez, derrame os ovos batidos sobre ela. A omelete não deve grudar e, para isso, é importante mexer a frigideira. Com uma espátula flexível, levante a borda da omelete para deixar escorrer os ovos ainda líquidos. Quando passarem a não escorrer mais, porém ainda moles, deixe a omelete escorregar em direção ao cabo da frigideira para virá-la. Hora de acrescentar ervas ou outros ingredientes da sua preferência. Espere dourar, dobre a omelete e sirva a seguir.

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A Divisão dos Pães em “O Pão da Felicidade”

Às vésperas da Páscoa, um gesto simples como partilhar um pão adquire força ainda maior, de intenso calor humano, longe do mero consumismo de ovos de chocolate. No longa “O Pão da Felicidade” (Shiawase no Pan / Bread of Happiness), dirigido e escrito em 2012 por Yukiko Mishima, vemos diferentes formas de preparar, desfrutar e dividir pães, revelando que este pode ser o caminho mais curto e direto para a alegria. O filme se desenrola em clima de fábula, quase um conto de fadas, a começar por sua introdução citando um conhecido livro infantil envolvendo a sempre presente lua a iluminar os caminhos no escuro.

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O jovem casal Rie (Tomoyo Harada) e Sang (Yô Ôizumi) se muda de Tóquio para o belo e pacato entorno do lago Toya, em Hokkaido, onde abre o Café Mani, uma padaria / restaurante / pousada que tem por princípio satisfazer seus fregueses e lhes abrir o mais sincero dos sorrisos. Sang prepara os pães e Rie, o café e os pratos quentes que os complementam. Fiel às estações do ano e a sua sazonalidade, tão cara à cultura nipônica, o filme começa no verão e se estende até a primavera seguinte, contando três histórias de busca pela felicidade, com uma conclusão de esperança.

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No verão, são dois jovens solitários que se conhecem; no outono, pai e filha se reaproximam depois que a mãe abandona o lar; e no inverno, é um casal de idosos que busca as últimas emoções. Para cada cena ou situação, há um pão específico que é preparado com carinho e ingredientes da terra, seja um pão simples, um de tomate com manjericão, outro de castanhas, mais um de mel com maçã, ou ainda um de feijão. Como Sang afirma, o importante é sentir as estações do ano ao se comer cada pão. E o filme de Mishima os fotografa de forma tão luminosa, que é quase possível sentir cheiro e gosto de cada um.

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Cada personagem recebe com humildade o pão a ser partilhado e responde com calor n’alma. Mas os prazeres do compartilhar, do companheirismo, passam também pelo degustar de uma boa taça de vinho, pelo preparo de uma (aparentemente) simples sopa de abóbora ou na oferta de um Kugelhopf, tradicional bolo de tradição franco-germânica, feito para celebrações. E assim, de forma plácida e sempre feliz, o filme prega o valor da divisão – é dividindo que se agrega, é compartilhando que se encontra a paz e a felicidade. Kampai! E feliz Páscoa a todos.

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A FESTA DE BABETTE, ou os segredos de produzir alegria pela comida

Vem aí o Dia Internacional da Mulher, dia de homenagear também as chefs/atrizes e suas receitas que desfilam pelas mesas cinematográficas, despertando nosso encantamento pela arte da cozinha. Filmes com Sabor faz aqui uma reverência a essas mulheres relembrando o banquete de Babette, o primeiro dos food films, que abriu caminho para que a união entre a gastronomia e o cinema rendesse produções memoráveis. Realizado há quase três décadas (1987), Babettes gæstebud é um filme dinamarquês dirigido por Gabriel Axel e ambientado numa vila da dinamarquesa Jutlândia, em 1854. Vencedor do Oscar e do BAFTA de melhor filme estrangeiro, o longa se tornou referência obrigatória quando se coloca a gastronomia na categoria de grande arte.

O roteiro, de uma simplicidade encantadora, aborda a vida das duas filhas de um religioso que ficam solteiras depois de romances frustrados. Anos depois, acolhem Babette, uma francesa refugiada que passa a ser sua criada, papel da francesa Stéphane Audran. Quando ela ganha uma pequena fortuna na loteria, prepara para suas anfitriãs, como forma de agradecimento, um banquete requintadíssimo, que continua no topo da lista dos gourmets e cinéfilos.

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a atriz Stéphane Audran como Babette

Se na premiação do Oscar existisse a categoria Food Films, certamente A Festa de Babette não teria concorrente. Nele, é possível assistir ao processo criativo e interativo que a arte culinária requer, coisa que fotos ou receitas não conseguem transmitir. A fábula/banquete exalta a ancienne cuisine francesa, com suas técnicas e métodos nunca antes mostrados no cinema. Ao longo do filme, o requinte dos ingredientes e de sua preparação invade o palato, os olhos, alegra o coração e, finalmente, rompe inibições e preconceitos. Babette usa a gastronomia como um elemento transformador capaz de revelar uma nova face do Divino. Cozinhar com a alma, impregnando de amor os alimentos, adquire status de alquimia, de feitiçaria. E degustar essas iguarias é ser enfeitiçado.

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Cena do banquete de A Festa de Babette

Babette sabia também que, depois de comer seus pratos, as pessoas não permaneceriam as mesmas. Os convidados para o banquete também intuíam isso, mas tinham medo de sucumbir aos prazeres do palato, como se ele fosse impuro, até demoníaco. Na festa de Babette, a ‘bruxaria’ tem efeito pacificador: os sabores amaciam velhas rixas, a dureza do corpo e até das rugas se desfaz, suavizadas pelo paladar. As máscaras caem, e os rostos endurecidos ganham expressão, cor, sorrisos, simpatia. Ganham humanidade. O céu estava ali, naquela mesa, e era possível perceber isso sem ter morrido. Conclusão? O paraíso terrestre existe nos raros momentos de magia e encantamento, aqueles em que nos tornamos crianças outra vez.

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Savarin(ou Baba au Rhum), a sobremesa que Babette
preparou para finalizar a festa
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Um Mergulho na Coréia do Sul

Alguns filmes funcionam como perfeitos cartões de visita da cultura de um país e até mesmo do tipo de cinema que lá é praticado. Este é o caso da comédia sul-coreana “Le Grand Chef” (Sik-gaek), ou ‘O Melhor Chef”, de 2007, que permaneceu inédita no Brasil. Escrita e dirigida por Chong Yun-su, trata-se da adaptação de um mangá popular e que transita entre o pastelão e o melodrama para realizar um perfeito food film – afinal, não há uma única cena na fita em que não se cozinhe, se coma ou se fale de comida!

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Aqui, a rivalidade entre dois chefs é posta à prova num grande concurso culinário e televisionado para todo o país, em que as etapas são temáticas e os pratos, degustados por renomados críticos gastronômicos. Desta forma, o concurso avança com o preparo de receitas típicas com peixes, com carnes específicas, com técnicas de corte e por aí afora. Representando bem a tradicional cultura sul-coreana, que valoriza o espírito e o legado de cada receita, algumas passagens podem ser estranhas ou até incômodas para paladares ocidentais, como, logo no começo do longa, o preparo de um baiacu ainda vivo, ou ainda o corte detalhado de uma peça bovina separando carne e gordura das costelas.

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Ao mesmo tempo, é um desfile impressionante – e de dar água na boca – de pratos inspiradores tanto em ingredientes quanto em apresentação. Como fita comercial que é, “Le Grand Chef” aposta pesado na caracterização radical do chef ‘bonzinho’ – bonito, simpático e de boa índole –, e do ‘vilão’ – trapaceiro, temperamental e ególatra. O espectador se diverte, assim, com um típico filme de competição, aprende um pouco sobre costumes da Coréia do Sul e assiste a um assumido food film de primeira linha.

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Gigantesco sucesso de bilheteria por lá, esta fita deu origem tanto a uma série de TV em 2008 quanto a uma continuação em 2010, em que o mocinho é confrontado com uma bela e jovem chef, de atitudes rigorosas, quase cartesianas – em oposição ao comportamento sempre emotivo do protagonista. Vale a pena conhecer essa dupla de trabalhos de índole intrinsecamente oriental.

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Nós que Sempre te Amaremos Tanto!

O grande mestre do cinema italiano e mundial Ettore Scola despediu-se no último dia 19 de janeiro, aos 84 anos de idade. À frente de uma das mais admiráveis filmografias de todos os tempos, Scola construiu uma obra de forte viés sociopolítico e, acima de tudo, humano: ele radiografou de forma atenta tanto sua amada Itália quanto o próprio ser humano, desde meados dos anos 1950 até o fim de sua vida, entregando-nos obras-primas inesquecíveis como “Nós que Nos Amávamos Tanto” (1974) e “Um Dia muito Especial” (1977).

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Filmes com Sabor lhe presta a devida homenagem relembrando um de seus trabalhos mais intimistas, o filme “O Jantar” (La Cena), de 1998, em que um elenco estelar – que inclui grandes nomes como Vittorio Gassman, Stefania Sandrelli, Giancarlo Giannini e Fanny Ardant, entre outros – frequentam um restaurante em Roma, palco de contrastes e conflitos existenciais, intelectuais e sociais. Aqui, a culinária é um personagem sempre presente e, embora as câmeras não mostrem os pratos em detalhes, os apaixonados pela arte da boa mesa recorrem à imaginação para descobrir como e com quais ingredientes cada item do cardápio foi elaborado. E é muito difícil não notar também o fogo do forno à lenha, de onde saem muitas das receitas da casa.

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“O cliente tem sempre razão”, afirma a dona e gerente do restaurante Arturo al Portico, onde se desenrola o jantar. Ela nem hesita em levar um vidro de ketchup à mesa da família de turistas japoneses, que pediram o molho para acompanhar um espaguete à carbonara! O chef entra em desespero, mas é esta freguesia fiel e heterogênea que movimenta o restaurante… e o filme. Afirma Scola: “Os personagens saem desse restaurante sabendo um pouco mais a respeito do ser humano, e é isso que espero que aconteça também com o público.”

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Com certeza, é o que sempre acontece depois de se assistir a um de seus muitos trabalhos: Scola ajuda o espectador a se aproximar da autêntica natureza humana, com suas qualidades e defeitos. Não há receita melhor para se fazer bom cinema! Obrigado por tudo, Ettore Scola, ficamos emocionados por aqui, vendo e revendo seu legado.

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